House over the hills é uma habitação unifamiliar construída nas Serras do Porto. Trata-se uma construção modular, em madeira, que procura imitar formalmente as montanhas que avista ao longe, a partir de um jogo de composição geométrica de volumes iguais com planos inclinados em diferentes direcções. O programa arquitectónico, uma habitação com três quartos composta em cinco módulos, prevê também três módulos mais independentes, apostando na flexibilidade programática ao longo do tempo.
A geometria rigorosa, que controla o desenho da planta e dos alçados, dá origem a espacialidades distintas no interior – permitindo diferentes combinações volumétricas e a exploração de distintas materialidades – que estabelecem relações diferenciadas com o contexto circundante – variações sobre o mesmo, que permitem que o exercício arquitectónico seja semelhante sem nunca se repetir. O jogo de avanços e recuos dos volumes modulares é, assim, a oportunidade simultânea para: a criação de espaços exteriores – ou pátios – mais dedicados aos diferentes espaços interiores que lhe são contíguos; e para a introdução de novas possibilidades na exploração das relações espaciais internas, nomeadamente através dos tectos inclinados.
Desde o exterior, o nível altimétrico em que a casa é implementada é aquele que garante o enquadramento desejado da paisagem e, ao mesmo tempo, aquele que permite a leitura da sua própria cobertura a partir do caminho que lhe dá acesso - favorecendo assim a integração da volumetria da habitação na paisagem circundante e ensaiando múltiplas composições de enquadramentos possíveis entre a paisagem natural e a “paisagem” construída. No interior, diferenciam-se vão abertos ao exterior a diferentes cotas e em diferentes direcções, procurando variadas relações com o contexto. Estes convidam, a diferentes horas do dia, a luz solar a varrer o espaço interior, projectando nas superfícies interiores da habitação a sombra das árvores circundantes e, assim, produzindo quadros vivos de intensidade lumínica variável.








