O Novo Terminal Rodoviário de Porto Velho, em Rondônia, representa um marco na modernização da infraestrutura urbana da capital, ao mesmo tempo em que se integra à identidade amazônica e às suas múltiplas camadas culturais, ambientais e históricas. A edificação foi concebida para substituir o antigo terminal, construído na década de 1980, que apresentava graves deficiências estruturais, problemas de ventilação, conflitos nos acessos e inadequações funcionais, chegando a ser classificado como um dos piores terminais rodoviários entre as capitais brasileiras.
O novo equipamento urbano possui aproximadamente 8.500 m² de área construída, implantados em um terreno de 18.221,48 m², organizados em dois pavimentos, além de laje técnica. O edifício principal abriga 13 plataformas de embarque e desembarque, posicionadas estrategicamente com orientação para o leste e acesso de ônibus pela via de menor fluxo do entorno, garantindo maior segurança e fluidez operacional. A cobertura das plataformas conta com aberturas zenitais, que favorecem a exaustão do ar quente e dos gases poluentes, promovendo a renovação natural do ar e maior conforto ambiental.
A proposta arquitetônica busca estabelecer um diálogo direto entre a ocupação humana e o meio ambiente amazônico. Amplos espaços públicos incentivam a convivência, a acessibilidade e o uso democrático do equipamento. A área de respiro entre a edificação e a Avenida Jorge Teixeira configura-se como um largo público sombreado pelas árvores existentes, fortalecendo a relação do edifício com o pedestre. O desenho do piso remete ao corte das seringueiras, evocando a memória histórica da região e reforçando a identidade local.
O projeto também incorpora soluções bioclimáticas voltadas ao desempenho térmico e à eficiência energética, como a correta orientação da implantação, o uso de brises, aberturas zenitais e vidros adequados para controle da incidência solar e aproveitamento da iluminação natural. Dessa forma, o Novo Terminal Rodoviário de Porto Velho consolida-se como um espaço urbano acolhedor, funcional e simbólico, que articula arquitetura contemporânea, história regional e a paisagem amazônica.



